Vegetarianismo na Infância

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Cada vez mais vem aumentando o número de famílias e crianças vegetarianas, e apesar do vegetarianismo ser frequentemente alvo de críticas com informações mais embasadas em preconceitos do que estudos científicos, hoje já temos muita informação científica de qualidade para afirmar que  além de segura, a alimentação vegetariana na infância pode trazer benefícios à saúde das crianças, como menores chances de obesidade e sobrepeso, redução significativa de doenças crônicas não transmissíveis, maior consumo de vegetais, frutas e hortaliças e menor ingestão de doces.

Para ressaltar a segurança da alimentação vegetariana na infância tanto a Academy of Nutrition and Dietetics (2016) e a American Dietetic Association; Dietitians of Canada (2013), reconhecem que a alimentação vegetariana é adequada em todas as fases da vida incluindo a infância, contanto que todos os cuidados alimentares e adequações nutricionais sejam realizados, COMO DEVE SER PRECONIZADO PARA QUALQUER TIPO DE DIETA.  Ainda afirmam que a dieta vegetariana pra crianças tem menor quantidade de colesterol, gordura saturada e gordura total, maior teor de fibras e antioxidantes, e o aporte proteico é facilmente atingido.

Os estudos já mostram que crianças vegetarianas não apresentam maior incidência de anemia ferropriva quando comparadas às crianças que comem carne, já que as crianças vegetarianas ingerem uma quantidade maior de ferro, mesmo se tratando da forma não heme, que é menos absorvível. Formas de melhorar a biodisponibilidade do ferro é a prática do “remolho” das leguminosas (como feijão, por exemplo) e acrescentar fontes alimentares de vitamina C nas refeições principais.

Essas crianças devem ser suplementadas com ferro, assim como as crianças onívoras, já que essa é uma recomendação tanto da Organização Mundial da saúde quanto do Ministério da saúde no Brasil para todas as crianças. A suplementação de vitamina D em crianças vegetarianas também segue as mesmas diretrizes de crianças onívoras, já que 90% da produção de vitamina D depende da exposição solar e não tem relação com a alimentação.

Atenção especial deve ser dada a vitamina B12, que é um nutriente que está presente em quantidades significativas apenas em alimentos de origem vegetal, dessa forma mesmo com alimentação balanceada, cerca de 50% das pessoas vegetarianas apresentam deficiência dessa vitamina. Importante ressaltar, que a deficiência de vitamina B12 não depende apenas da quantidade ingerida, mas também da forma como a gastamos e como conseguimos recicla-la.

Se a alimentação vegetariana é a escolha da sua família, procure sempre um profissional que esteja capacitado a dar as orientações nutricionais e de suplementação adequadas, para garantir o crescimento e desenvolvimento pleno dos seu filhos, que é sim muito possível com essa opção.

 

Fontes:

– Sociedade Brasileira de Vegetarianismo

 

 

Dra. Larissa Kallas Curiati é médica formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com residência médica em Pediatria e Endocrinologia Pediátrica no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Possui Título de Especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria e Título de Especialista em Endocrinologia Pediátrica pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Plantonista do Serviço de Pronto Atendimento Infantil e da Enfermaria de Pediatria do Hospital Samaritano e membro da equipe de endocrinologia pediátrica do Hospital Samaritano e do Hospital Beneficência Portuguesa. Atende em consultório no endereço que consta no rodapé deste site.

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