Doenças Tireoidianas e a COVID 19

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Essa semana do dia 25/05 ao dia 29/05 é a Semana Internacional da Tireóide, então vamos aproveitar para esclarecer algumas dúvidas frequentes sobre a relação de doenças tireoidianas e a infecção pelo coronavírus (SARS-CoV-2).

Distúrbios da tireoide, em geral, não são associados a maior risco de adquirir infecções virais e nem são associados a maior gravidade nas pessoas infectadas, nem mesmo no caso de pessoas com doenças autoimunes da tireoide como doença de Graves e tireoidite de Hashimoto, pois esses dois distúrbios da tireoide não significam que o paciente esteja imunocomprometido. O sistema imunológico responsável por combater infecções virais está intacto em pacientes com distúrbios autoimunes da tireoide.

O tratamento de doenças tireoidianas com radioiodoterapia não é associado a maior risco de adquirir infecção viral e o uso de hormônio tireoidiano (levotiroxina) ou de medicamentos antitireoidianos (metimazol e propiltiuracil) também não inibem o sistema imunológico. Uma exceção é se o paciente tiver agranulocitopenia (diminuição dos leucócitos) como efeito adverso ao uso desses medicamentos. A suspeita de agranulocitopenia é feita se o paciente apresentar febre, dor de garganta e úlceras em boca e faringe.

Por outro lado, o uso de doses anti-inflamatórias de corticosteroides ou imunossupressores (micofenolato, rituximabe, por exemplo) para tratamento da doença tireoidiana ocular (oftalmopatia de Graves) pode predispor a maior risco de adquirir a COVID-19, assim como pacientes com câncer de tireoide em uso de quimioterapia ou de medicamentos para câncer da tireoide (lenvatinibe, sorafenibe, vandetanibe, por exemplo).  Esses casos, os pacientes devem ser ainda mais rigorosos nas medidas de prevenção contra a infecção.

É possível que pacientes com distúrbios da tireoide mal controlados, principalmente hipertireoidismo, tenham maior risco de desenvolver complicações de qualquer infecção. Por isso, recomenda-se o uso correto dos medicamentos e o contato com o médico assistente para ajustes de doses, se exames laboratoriais mostrarem alteração da função tireoidiana.

Fonte:

  • Nota do Departamento de Endocrinologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.

 

 

Dra. Larissa Kallas Curiati é médica formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com residência médica em Pediatria e Endocrinologia Pediátrica no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Possui Título de Especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria e Título de Especialista em Endocrinologia Pediátrica pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Plantonista do Serviço de Pronto Atendimento Infantil e da Enfermaria de Pediatria do Hospital Samaritano e membro da equipe de endocrinologia pediátrica do Hospital Samaritano e do Hospital Beneficência Portuguesa. Atende em consultório no endereço que consta no rodapé deste site.

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